One today is worth two tomorrows.
(Benjamin Franklin)
Adivinha quem está de volta? A maior Parceira deste blog: a Marisa!!! Oh! Ela… ainda não chegou o Dia Dela (está quaaassee!!!), mas Ela Calça a Sapatilha e Corre pelo Mundo… E com a maior generosidade Passa a Palavra e Partilha connosco as suas Descobertas!… Lembras-te deNova Iorque?! E de Washington DC?! Hoje as coordenadas rodam e vamos para… a Ásia!

Quando ela me contou o destino fiquei em êxtase, porque ainda sou uma principiante nesse lado do Mundo! O mais próximo que estive foi em Moscovo e São Petersburgo, mas não é, de todo, comparável!… Depois de ler o post, fiquei com vontade de pegar no passaporte e levantar voo… Algo me diz que vais sentir algo semelhante!!!
A Marisa conta-nos esta viagem de uma forma apaixonante: não um amor à primeira vista, mas um amor que se estranha no início e depois se entranha! Aquele amor que só descobrimos quando paramos, respiramos fundo, acalmamos a mente… e deixamos de olhar… para ver! Esta ideia trouxe-me à lembrança o post em que te desafiei a largar todos os preconceitos, ideias feitas, dados adquiridos e correr atrás do que nos faz felizes, dos nossos sonhos, lutas, oportunidades… com toda a garra e vontade de fazer acontecer e exceder as expectativas!…
PASSO A PALAVRA…
À MARISA, NUMA VIAGEM DE (AUTO) CONHECIMENTO E CRESCIMENTO…
Autor: Marisa de Oliveira

Passaram 43 anos desde o fim da guerra no Vietnam (1975), a guerra que vitimou cerca de 2 milhões de pessoas. No ar, ainda sentimos o cheiro de um pós-guerra e há memórias muito presentes no rosto das pessoas…
No dia 19 de novembro de 2016 parti para uma aventura de um mês pela Ásia na companhia de uma amiga. O nosso primeiro destino foi o Vietnam a cidade de Hanói. Quando aterrámos no aeroporto apanhámos um táxi em direção ao centro da cidade. Pelo caminho é notória a pobreza, os edifícios inacabados, a confusão das ruas cheias de pessoas que vendem tudo o que possamos imaginar, o trânsito de carros e de motas completamente desordenado. E o barulho? Nossa, o barulho! Buzinas e mais buzinas, vendedores a gritar! Já a pé, enquanto procurávamos o nosso hostel, reparei no lixo que havia pelas ruas e nos cheiros: a fritos, peixe cru, esgotos, uma mistura que me deixava enjoada! As pessoas cozinhavam na rua, comiam na rua, dormiam na rua… Nos meus primeiros momentos naquela cidade pensei isto é horrível... Não estava a ser o sonho que, por algum motivo, idealizei na minha imaginação!

Decidi parar, respirar fundo e acalmar a minha mente…
Nesse instante, o meu interior convidou-me a olhar mais profundamente para o que estava à minha volta. Nesse momento, eu deixei simplesmente de olhar, desfiz-me dos meus preconceitos e passei a ver: vi as pessoas, vi o rosto delas, vi os seus comportamentos e ações, a forma como interagiam… Quando comecei a ver, tudo mudou: a pobreza deu lugar à humildade, o vazio deu lugar à felicidade! Sim, porque aquelas pessoas têm pouco, mas são felizes, uma felicidade que não vem da posse de bens materiais, mas antes do dom da vida. Comecei a compreender a dinâmica daquela cidade e daquelas pessoas e apaixonei-me por Hanói.
O meu conselho para quem visita Hanói é que se deixem perder pelas ruas, não tenham medo de caminhar, larguem o mapa e deixem-se ir… Deixem-se simplesmente ir… A cidade é grande mas quase todos os pontos turísticos e lugares a visitar estão próximos uns dos outros!


A MAGIA DAS RUAS E DA GASTRONOMIA
As regras de trânsito não existem: ninguém para nas passadeiras ou sinais, atravessar a rua é um desafio, mas rapidamente percebemos que o truque é fazê-lo com convicção, não hesitar e não olhar para trás! De uma forma ou outra os carros e as motas desviavam-se de nós…
Hanói tem muitas ruas temáticas: ruas que só vendem velharias, ruas que só vendem roupa, ruas que só vendem artigos de costura desde tecidos a botões das mais diversas formas, cores e feitios… E em cada rua há sempre um lugar para sentar e comer, muitos deles são sítios com menos de 2m2 onde a própria comida é confecionada na rua e as pessoas comem de pé ou sentados em bancos pequeninos que espalham pelos passeios!
Sem medo, nós entregámo-nos à gastronomia local: pé de galinha frito ou marinado, amendoim e espetinhos, spring rolls, Buan Chá (carne de porco ou boi feita na grelha, servida com vermicelli de arroz e ervas) e sopa Pho. Ai as saudades que eu tenho da sopa Pho! Os vietnamitas comem esta sopa a qualquer hora do dia! Aliás, começam o dia com esta sopa – um caldo de carne/frango/porco com noodles e vegetais. Experimentem, também, o Mì Quảng, um noodle de arroz caseiro com amendoim, ovo cozido, vegetais e pimenta, semelhante ao Pad Thai Tailandês.


Para os amantes de café, o Vietnam é o local!!! O país é famoso pela produção e exportação de café, mas a forma como o café é torrado, servido e o gosto é bem diferente do nosso café.
No Vietnam, encontramos também a cerveja mais barata do mundo! A Bia hơi, uma cerveja draft muito popular. As mais comuns e disponíveis em qualquer lugar são a Hanoi Beer e a Bia Beer.
HALONG BAY
Em Hanói, o único tour que comprámos foi para Halong Bay, que incluía a viagem ida e volta e dois dias num cruzeiro.
Halong Bay está localizada no norte do Vietnam, próximo da fronteira com a China. O nome do local significa “baía onde o dragão desceu” e é considerado um lugar abençoado (oh se é!). Diz a lenda que, na época da guerra contra os invasores chineses, os deuses enviaram dragões para ajudar e que esses dragões cuspiam joias e jades que mais tarde se transformaram em ilhas. O povo conseguiu manter as suas terras onde hoje é o Vietnam, mas os dragões queriam manter-se na terra, num lugar bonito e escolheram onde é hoje Halong Bay. Longem vietnamita significa dragão.
O autocarro que nos levou até Halong Bay estava longe de ser confortável! Foram 6 horas de puro desconforto mas o que nos esperava valia tão, mas tão a pena! Halong Bay é hoje Patrimônio Mundial da UNESCO e uma das 7 Maravilhas da Natureza, é uma baía formada por um mar verde-esmeralda e milhares de ilhas e ilhotas calcárias.


HANG SOT CAVE
No primeiro dia de cruzeiro, visitámos a Hang Sot Cave, a “Caverna das Surpresas”. É a maior das cavernas de Halong Bay e foi descoberta por exploradores franceses, em 1901. A vista do topo da caverna é lindíssima.

ILHA TI TOP
Desta caverna, seguimos para a ilha Ti Tope foi aqui que demos o nosso primeiro mergulho nas águas verde-esmeralda, foi um banho de energia. Esta ilha tem a melhor vista da baía, mas são 424 degraus que nos separaram desta visão. Aguentem firme!
No segundo dia, visitámos uma fazenda de cultivo de ostras onde nos foi apresentado todo o processo desde o grano até a pérola virar parte de uma joia. Honestamente, não foi do que mais gostei de ver, mas é algo muito pessoal, olhei para aquilo e simplesmente vi exploração de seres vivos pelo Homem, com o intuído de gerar dinheiro…

Durante os dois dias, pudemos ainda andar de caiaque entre as ilhas, onde as águas são calmas, sem ondas ou correntes. Pelo caminho, é normal ver pescadores que vivem nas vilas flutuantes e causam um contraste muito bonito entre a água verde, as ilhas e as casas coloridas!
SAPA
De regresso a Hanói, partimos à noite para Sapa. Viajamos num comboio noturno: é a melhor opção visto que não perdemos um dia em viagem e poupamos uma noite em hostel. Não há luxos no comboio: são quartos com dois beliches e quatro camas e a casa de banho é para uso de toda a carruagem. O meu conselho: sejam os primeiros da noite a usar para fazer a higiene e de manhã não esperem encontrar nada limpo.
À chegada, é necessário apanhar uma van ou autocarro para as Montanhas de Sapa. Sapa foi o único sítio, em toda a nossa viagem pela Ásia, onde apanhámos mau tempo: frio, chuva, nevoeiro! Mesmo com mau tempo, eu gostei muito de Sapa, por isso imagino como seria se tivesse apanhado sol, teria sido lindo ver aquelas montanhas…


Quando descemos da van fomos logo atropeladas por locais a tentarem vender-nos objetos feitos à mão, tapeçarias e walking tours. Foi a parte de que não gostei, porque a cada cinco metros alguém nos perguntava “walking tour?”. Há que dizer um não firme, sem ser rude, mas tem de ser firme…
Mas foi uma delícia!… É uma vila tão típica, os locais vestem-se todos com roupas tradicionais, as mulheres têm longos cabelos e as ruas são pequenas feiras onde tudo é feito por eles! Uma vez mais, deixamo-nos levar e perdemo-nos nas ruas…

O nosso hostel não ficava exatamente na vila de Sapa, quando ligámos o maps.me descobrimos que ficava a uns modestos 10km de distância 🙂 . O caminho era pelas montanhas, sempre a descer e, por isso, decidimos ir a pé!
Um episódio engraçado pelo caminho: logo à saída da vila de Sapa, na estrada de terra batida encontrámos dois vietnamitas vestidos à militar (?) e armados com espingardas que nos pediram dinheiro para passar naquela estrada. Olhei para ele e perguntei-lhe “mas onde está escrito que tenho que pagar?”. Claro que em lado nenhum! Ele continuou a pedir dinheiro, e eu só olhei para a minha amiga e disse-lhe para seguir e continuar a caminhar, o pior que podia acontecer era eles virem atrás de nós. O que não aconteceu. NOTA: Os vietnamitas pedem dinheiro por tudo e por nada e eu já estava farta que me pedissem dinheiro por coisas estúpidas!

O caminho foi longo e difícil porque chovia e estava realmente frio… a cada curva, nós só pensávamos: será que é já a seguir? 🙂 Mas a vista era lindíssima, nem quero imaginar como seria se estivesse bom tempo!

Finalmente, chegámos à ponte que nos levaria à pequena aldeia onde íamos ficar hospedadas. Uma aldeia típica e simpática. Um povo humilde, que vive do comércio local e do gado. Tivemos a sorte de assistir a um casamento e ver um pouco das suas tradições, que são bem diferentes das do ocidente.
Encontrar o nosso hostel foi um desafio! Ninguém sabia onde ficava… Já estávamos a desesperar: tínhamos fome e frio, estávamos completamente molhadas… ora as pessoas nos mandavam numa direção, ora nos mandavam na direção oposta, ora era para cima, ora era para baixo! O maps.me lá não funcionava! Metemo-nos por caminhos de gado, fugimos de vacas e de cães. Uma loucura!!! Até que finalmente alcançamos o nosso hostel… uma casa perdida no meio do nada, onde fomos muito bem acolhidas e prepararam-nos logo uma sopa Pho quentinha!

Infelizmente, o tempo não deu para mais e acabámos por ficar o tempo todo no hostel até partirmos de novo para Hanói e de Hanói viajámos para Laos e a bela cidade de Luang Prabang.

Até breve!
Marisa
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