“Not until we are lost do we begin to understand ourselves.”
(Henry David Thoreau)
SONHAR é, de facto, um dos meus verbos preferidos… por toda a magia que desperta em quem tem coragem de sonhar e pelo efeito contagiante | multiplicador que toca em quem rodeia o Sonhador, principalmente, no momento da concretização-real!… Ninguém fica indiferente a quem faz acontecer, tira o “im” do impossível e levanta-se mais vezes do que as que cai… o verdadeiro corredor da Vida, aquele que Calça a Sapatilha e Corre!…
Quando eu sonhei este projeto tinha como principal objetivo espalhar a magia da Comunicação que sentia dentro de mim e contagiar mais e mais amigos-seguidores-(des)conhecidos… levando-os a Calçar a Sapatilha da Comunicação e Partilharem aqui as suas Descobertas e Inspirações…
Hoje, passo a Sapatilha para uma viagem inspiradora, com um propósito que ainda não experimentei enquanto viajante: a busca pelo conhecimento interior envolvida na vivência da religião, cultura e História! O João (lembras-te dele? recorda aqui!) leva-nos pelos caminhos de Israel e Jordânia | de hoje e do passado | para nos lembrar que o futuro está nas nossas mãos (ou será nos nosso pés? 🙂 )
PASSO A SAPATILHA…
AO JOÃO, NUMA DESCOBERTA ENTRE AVENTUREIRO- HISTÓRIA-VIAGEM!
Autor: @umavidanadapacata

A ideia de ir a Israel deve ter começado a surgir na minha cabeça há uns 12 ou 13 anos. Na altura, uma criança católica e imberbe, com enorme vontade de conhecer o mundo, percebi que seria importante para mim conhecer os locais onde tudo começou. Passados estes anos, a criança deu lugar ao homem, e a importância que a religião tinha foi sendo refinada. Outros projetos surgiram, decisões foram tomadas e outras viagens realizadas. Mas nunca perdi a vontade de um dia poder visitar Nazaré, o mar da Galileia e sobretudo Jerusalém!
Com a viagem em suspenso na minha cabeça, durante tanto tempo, nunca deixei de ir atualizando a informação que tinha sobre o país. Portanto, sentia-me bastante informado sobre o que iria encontrar quando aterrasse no aeroporto de Tel Aviv, naquela manhã de Setembro. Não poderia estar mais enganado! Toda a viagem foi um mar de surpresas, um turbilhão de sensações e um (re) encontro do eu que não contava à chegada.
Aterrei em Tel Aviv, mas deixei a cosmopolita capital para o final da viagem. O choque inicial com o clima, depois da longa viagem com escala em Madrid, foi depressa apaziguado com o ar condicionada do pequeno carro alugado no aeroporto. Segui directamente para norte e para o inicio desta aventura.
HAIFA

A primeira paragem foi em Cesareia, a meio caminho entre Tel Aviv e Haifa. Importante porto durante o reinado de Herodes. Ponto de visita obrigatório para amantes de história, principalmente romana, este parque arqueológico tem como principal atração o palácio de herodes, construído num promontório ao lado do mar. A vista é um ótimo ponto de partida nesta viagem e ajuda no calor do primeiro dia.
Haifa é a terceira maior cidade do país e casa do Centro Mundial Bahá’í, Património Mundial da UNESCO e da Colónia Alemã. Apesar da sua importância como cidade portuária, o que salta à vista em Haifa são, de facto, os jardins do Centro Mundial Bahá’í. Ao longo de uma colina, com uma vista imperdível, somos presenteados com jardins fantásticos que merecem sem dúvida a paragem.
Um primeiro dia a prometer uma grande viagem!
ROSH HANIKRA

Saio de Haifa rumo ao norte com dois propósitos: descobrir o segredo mais bem guardado dos turistas em Israel e tentar aproximar-me o máximo possível da fronteira com o Líbano.
Rosh HaNikra é um conjunto de grutas junto ao mar na fronteira com o Líbano. O acesso só pode ser feito por teleférico e todo o percurso é feito a pé. É incrível como é que este local ainda não aparece nos principais guias turísticos! As grutas são ainda casa de uns simpáticos morcegos que infelizmente não gostam muito de fotografias.
Mesmo ao lado da entrada das grutas, encontra-se uma nas fronteiras com o Líbano. A fronteira estava encerrada, mas ainda consegui passar uma mão para o lado de lá. Conta como visita?
MAR DA GALILEIA

Saio das grutas de Rosh HaNikra rumo ao mar da Galileia, importante local histórico e religioso. Esta zona do pais é um choque de culturas. Tanto vemos resorts de luxo em Teberíades como locais arqueológicos e de enorme importância religiosa como Cafarnaum e Tabgha. O mar, que na realidade é um lago, é de uma beleza indescritível de todos os locais por onde passei, sendo religioso ou não, emana uma aura intensa que nos remete para tempos passados.
NAZARÉ
Como última paragem do dia e local de descanso, chego a Nazaré. Primeira grande cidade da viagem. Não por ser grande em área, mas, sim, em densidade populacional, choque de religiões e nacionalidades. Nazaré é uma cidade interessante. Berço de Maria, tem dois dos mais importantes templos para Católicos e Ortodoxos. A basílica da Anunciação para os Católicos e a igreja de São Gabriel celebram de formas diferentes o anúncio do nascimento de Jesus a Maria com ambas as religiões a defenderem para si o local exato do acontecimento. Como turista só tenho a “ganhar” com esta disputa porque me permitiu aprender e sentir as diferentes visões presentes nesta cidade. Construída sobre colinas a 350 m a cima do mar, as suas ruas estreitas, sem qualquer tipo de regra de trânsito tornam Nazaré uma cidade de visita intensa, mas imperdível!
NEGUEV

Depois do merecido descanso em Nazaré, preparo-me para a maior viagem contínua de carro. Atravessar o deserto do Neguev! Para quem nunca tinha atravessado um deserto, foi uma experiência muito interessante. Ao longo do caminho, tive oportunidade para escolher várias estradas secundárias que me levaram a sítios que nem sonhava existirem, a ver montanhas até perder de vista e descobrir vários pontos e experiências que não esquecerei. O parque nacional de Ein Avdat! Apesar do calor que se fazia sentir, não hesitei em iniciar uma caminhada pelo parque visitando ruínas romanas, lagos e geologias nunca antes vistas. Uma paragem obrigatória!

Antes de chegar a Eilat parei ainda, completamente ao acaso, numa curva, depois de Mitzpe Ramon. Aqui contemplei uma das melhores vistas que tive oportunidade de apreciar ao longo desta viagem. Um vazio maravilhoso e um silêncio ensurdecedor. Fui ainda presenteado com a companhia de uma família de cabras da montanha que, sem qualquer tipo de receio de humanos, aventuram-se junto aos carros.
EILAT
Depois da tareia que o meu corpo levou com a travessia do deserto, um descanso era necessário. E que melhor descanso do que um resort com vista para o mar? Eilat é uma pequena cidade no sul de Israel, na fronteira com a Jordânia e o Egipto. Ponto obrigatório de férias entre os locais, encontra-se cheia de resorts e um sem fim de atividades próprias do género. Esta paragem sai bem fora do meu plano habitual de viagens, mas, dada a duração da mesma, parece-me uma ótima opção! Três dias de sol e dolce far niente!
Bom, nesta altura, já devem ter percebido que não sou muito dado a ficar parado, sem fazer nada. Entre dias de descanso na praia e na piscina, fiz mais uma caminhada no Red Canyon de Eilat. Uma vez mais, o silêncio é companheiro e o calor não descola. Resolvo escolher o trilho mais fácil para começar. Depois de duas horas a fazer parkour (quase, mas vocês percebem a ideia!) consigo concluir com sucesso este “pequeno” passeio.
Pouco há a dizer sobre Eilat. Óptimo para quem gosta de resorts e descanso. Apesar de nunca ter feito muito o meu género, acabei por agradecer a decisão tomada mais à frente.
PETRA (JORDÂNIA!)
Vamos mudar de país! Primeiro pensei que seria uma experiência algo tensa, mas depressa as minhas dúvidas se dissiparam. Deixei o carro na fronteira de Eilat e segui a pé. Depois de uma pequena espera na fronteira, recebi o meu visto e segui para a Jordânia! O único transporte disponível para Petra é o táxi. O preço da viagem aparece tabelado logo à entrada e um sem fim de táxis aguarda-me. Calhou-me o melhor taxista do mundo! Um homem espetacular! Falámos a viagem toda, fez de guia quando passámos o Wadi Rum e ainda parámos a meio da viagem para tirar fotos e relaxar com um café. Deixou-me na porta do hotel em Petra e resolvemos logo a viagem da volta. Impecável!
Apesar de vizinhos, percebe-se bem a diferença entre os dois países. A qualidade das estradas, hotéis, serviços, as pessoas. Tudo é diferente. Fui extremamente bem-recebido no hotel que prontamente se disponibilizou para tratar de todas as minhas refeições à hora que eu quisesse. Sempre muito simpáticos, senti-me muito confortável e bem-recebido em Petra.
Petra a visitar encontra-se engolida pela Petra para descansar. A cidade antiga que todos querem ver tem como vizinhos um sem número de hotéis do mais barato ao mais luxuoso.

Petra é uma visita obrigatória. Não há outra forma de o dizer. Quem acha que Petra é só aquele templo na rocha (Al Khazneh) que aparece em 13597283 fotos vem muito engado. Petra é uma enorme cidade antiga cheia de história com diversos templos encrustados na rocha, grandes planícies com mercados e locais romanos. Uma pessoa pode perder-se no meio de tanta oferta e de tanta vontade de ver tudo.
Foram dois dias de exploração do desconhecido, maravilhado com tudo o que encontrava. Deixei o melhor para fim, aquela que para mim é de facto a visita obrigatória em Petra. Na ponta oposta da entrada da cidade, encontra-se o primeiro degrau de uma escadaria enorme, difícil e sinuosa que termina no El Deir, um mosteiro com mais de 50m no topo da montanha. A vista e o próprio mosteiro merecem o esforço passado nas escadas, com aqueles belos 40ºC!
MAR MORTO
O dia começa bem cedo, ainda em Petra. Apanho o táxi previamente combinado e chego à fronteira. Depois de uma hora bem passada, a responder novamente a centenas de perguntas (em português!) reencontro o carro deixado em Eilat. Sigo rumo ao norte, para o mar Morto.
No caminho, havia uma paragem que teria que fazer, Massada. Massada é uma fortaleza num imponente planalto escarpado 400 m acima do nível do mar. O acesso pode ser feito por teleférico ou pelo “Caminho da Cobra”, um trilho difícil que serpenteia a montanha.

Quando cheguei, a temperatura registada tinha fechado o trilho, restando o teleférico para chegar ao destino. Massada não é mais que o conjunto de vários locais de interesse arqueológico, mas a vista é imperdível. No local onde o Rei Herodes mandou construir um palácio foi colocado um miradouro, para apreciar a vista e descansar.
Antes de parar no Mar Morto, ainda passei por Ein Gedi para visitar a cascata de David e o restante oásis que ali se encontra. Depois de um passeio e um mergulho, parei então em Ein Bokek, para ir experimentar as águas do Mar Morto.
É daquelas experiências que aconselho todos a terem uma vez, mas não faço questão de a repetir. A água, com uma enorme concentração de sal, permite-nos boiar eternamente. Existe ainda a possibilidade de fazer um tratamento de lamas antes da entrada na água que, segundo consta, faz maravilhas à pele. O pior é depois sair da água! Recuperar a posição de pé é uma tarefa digna de um filme! O calor registado associado à concentração do sal obriga uma pessoa a ir refrescar-se várias vezes aos chuveiros existentes ao longo das praias (a não ser que gostem de estar numa sopa, claro!).
No fundo uma experiência relaxante, a preparar a recta final da viagem.
JESURALÉM
Jerusálem! O ponto mais alto, a melhor experiência, a cidade de onde trago as melhores recordações. Quem pensa que Jerusalém é uma cidade em guerra contínua, chega lá bem enganado. Existe tensão no ar claro, mas é notável o equilíbrio sensível entre as diferentes religiões. A cidade divide-se em duas partes: a cidade velha, cidade original onde passei a maior parte do meu tempo, e a cidade nova, como qualquer cidade europeia. Na cidade nova há três paragens obrigatórias: o Yad Vashem, o Mahane Yehuda e o Mea Shearim. O primeiro é o museu do holocausto e Israel não o fez por menos. A apresentação é minuciosa e a coleção enorme provoca uma grande sensação de pasmo e impotência a quem lá passa. Eu fui uma dessas pessoas. Pode parecer um contrassenso para alguns “visitar” o holocausto mas é uma experiencia imperdível e essencial para qualquer cidadão do mundo.

O segundo é um mercado histórico. De dia, somos presenteados com uma panóplia de cheiros, sensações e sabores e, de noite, com restaurantes e bar abertos pela noite fora. Por último, o terceiro é o bairro judeu ultra ortodoxo de Jerusalém. Os seguidores desta fação do judaísmo vivem quase que num mundo à parte, com regras próprias e um estilo de vida que pode fazer confusão a muitos europeus. Não são grandes fãs de turistas mas semanalmente são organizadas visitas. Um povo calado para os de fora, desconfiado e, por vezes, agressivo. Uma experiência incrível. No meio da cidade mais tensa, um bairro assim, à parte do mundo, foi uma experiência intensa.

A cidade velha é algo indiscritível. Imaginem o seguinte cenário: um km2dividido em quatro partes (bairro cristão, judeu, muçulmano e arménio), onde dezenas de ruas estreitas mostram uma mistura de cheiros, sabores, religiões e políticas diariamente. Pode parecer estranho, mas a cidade velha de Jerusalém foi onde me senti melhor fora de casa. No meio de toda a tensão, as pessoas aparentam uma calma desconcertante. Sempre simpáticas, até a regatear preços para as habituais prendas. Basta perguntares e indicam-te logo os melhores locais para eles comerem e, se for preciso, ainda te levam lá! Não sei se aconteceu só comigo, mas senti-me em casa.

O bairro cristão é um sem fim de igrejas, capelas e afins com milhares de fiéis a visitá-las e a fazerem, principalmente, a Via Crucis (o Caminho da Cruz) ao longo das suas catorze estações. É habitual ver diversos grupos de diferentes nacionalidades a percorrê-las uma a uma. Como católico, tinha umas questões para tratar com o Senhor e resolvi ir directamente à sede (por sede entenda-se a igreja do Santo Sepulcro). Não sei se a experiência para mim foi mais intensa que para alguém que não acredita, mas considero uma visita obrigatória.
O bairro arménio é o mais pequeno dos quatro e, apesar de serem igualmente cristãos, os arménios fazem questão de mostrar as suas diferenças relativamente ao bairro vizinho. É o bairro mais tranquilo dos quatro.
O bairro judeu mostra orgulhosamente a sua história e a sua luta ao longo dos tempos. Diversas sinagogas e templos estão presentes embora o ponto mais conhecido seja o Muro das Lamentações. Tive o privilégio de o visitar com gente local, tanto de dia como de noite, por alturas do feriado nacional. É impressionante! Não sendo judeu, fui extremamente bem recebido e foi-me explicado, com enorme paciência, tudo o que, por detrás, está do tempo passado no muro. Um verdadeiro abrir de olhos.
Por último, e não menos importante, o bairro muçulmano. Este é o maior e o que mais habitantes tem, sendo ainda onde se encontra o local de maior tensão política e religiosa de toda a cidade: o Monte do Templo. Um local sagrado para as três maiores religiões (cristianismo, judaísmo e islão). O local é fortemente controlado por soldados israelitas e a entrada é bastante limitada para não-muçulmanos. Apesar do maior interesse religioso, para cristãos e judeus, a sua entrada é frequentemente vedada. Foi o que aconteceu nos quatro dias que lá tentei entrar! Uma mancha nesta experiência quase perfeita.
Foram quatro dias muito intensos, de grandes experiências e, acima de tudo, de um enorme enriquecimento pessoal que nunca irei esquecer. Poder dizer que deixei lá amigos diz muito sobre os meus dias em Jerusalém.
TEL AVIV

Finalmente Tel Aviv, o ponto final desta viagem. Tel Aviv é uma cidade cosmopolita, muito próxima das grandes cidades europeias e dona de um areal imenso onde milhares de turistas resolvem banhar-se no Mediterrâneo. O porto velho de Jaffa é talvez o único ponto digno de registo como turístico. Os acessos encontram-se em ótimas condições e proporcionam um belo passeio à beira mar enquanto se vai percebendo a história daquela cidade.
Um fim de viagem a aproximar-me do ocidente, da europa. Ao quarto dia, estava novamente no aeroporto de Tel Aviv para rumar a Lisboa, via Londres. Esgotado, mas feliz. Muito feliz!

PS: Cada um atribui a importância que quer a determinada viagem. Apesar de toda a história e todo o interesse geográfico que tinha para mim esta viagem, o momento que atravessava na minha vida foi provavelmente determinante para não só decidir ir como para ter vivido tão intensamente os dias que passei em Israel e na Jordânia. Não sei se, com outra forma de estar na vida, a experiência seria igualmente intensa, mas quero acreditar que tudo o que passei em Nazaré, Petra e, sobretudo, em Jerusalém se manteriam inalteradas. Nada como lá voltar para ter a certeza 😉!
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