PASSA A PALAVRA | MARISA DE OLIVEIRA: LUANG PRABANG, LAOS

Freedom from desire leads to inner peace.

(Lao Tse)

 

PARTILHA | Hoje é dia de Partilha no blog… e quem melhor do que a Marisa para nos levar a passear?! Depois de Nova Iorque, Washington DC e Vietnam…. ela tinha deixado a promessa de irmos juntos a Laos… e cá vamos nós!!!

Nos últimos posts, confessei-te que para mim o mais bonito das viagens é o que deixamos de nós aonde vamos e o que trazemos connosco de lá… Hoje, a Marisa vem reforçar esta ideia e vai inspirar-nos a sermos livres nas nossas viagens… no pensamento, no roteiro e nas decisões! Com este post ela deu-me uma lição de vida: onde fores feliz, fica sempre mais um bocadinho… e mais e mais… A vida é surpreendente!

 

LOGO_Final_DPASSO A PALAVRA…

À MARISA, NUM HINO À LIBERDADE DE VIVER!

 

MARISA | Oh, Ela… a Pessoa das Pessoas (e para as Pessoas)! Ela que tem o sorriso mais largo do mundo… o que mais cativa, o que mais encanta, o que mais envolve! Sorriso de verdade que nos inspira a sermos melhores!… E os olhos dela? São azuis… de mar ou de céu? Nem sei… mas são de uma profundidade extrema que nos toca, nos faz acreditar e leva-nos a acompanha-la nas inúmeras causas que ela acarinha… de pessoas, a animais e estilos de vida!

Conhecemo-nos há seis anos, num primeiro encontro na vida profissional que logo se estendeu ao foro pessoal!… Ela é uma estrela (#minhaestrelinha): em tudo o que faz põe brilho! Ela abrilhantou todos os meus projetos, foi incansável no apoio e pôs as mãos na massa no faz acontecer… Recentemente, a vida desafiou-a a voar mais alto (na profissão), o que a levou para longe de mim |orgulho-saudade! Eu já estou de olhos no céu a ver-te cada vez mais alto e cintilante… continua a tua viagem e reflete em nós essa luz que nos ilumina o caminho e nos faz seguir(-te)! Como te disse: tenho a certeza que este desafio só te colocará mais próxima do meu ❤ !…

 

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Autor: Marisa de Oliveira

 

Luang Prabang fica em Laos, um país asiático que faz fronteira com a China, Vietnam, Camboja, Tailândia e Myanmar. Do charme da antiga Indochina ao refinamento do seu passado real, a cidade, que carrega o título de património mundial da humanidade da UNESCO, é uma mistura das mais especiais que podemos encontrar na Ásia.

Conheci Luag Prabang num café com um amigo, um amigo que gosta de viajar tanto ou mais do que eu 🙂 . Com um brilho único nos olhos disse-me que Luang Prabang tinha sido dos sítios mais bonitos que tinha conhecido. Um ano depois, eu compreendi aquele brilho no olhar.

Após deixarmos o Vietnam (recorda aqui), o nosso destino foi a bela cidade Luang Prabang. No nosso primeiro dia, visitámos o centro da cidade. É possível fazer todo o percurso a pé, as ruas são organizadas e não há como nos perdermos. Pelas ruas, existem sempre pequenas bancas, a vender comida de rua e sumos de fruta fresca, feitos na hora.

 

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A cidade está repleta de templos e casarões que nos enchem os olhos com muita beleza e grandiosidade. Logo na entrada, fica o templo real, o Wat Ho Phra Bang, que guarda o tesouro mais precioso do Laos: o Pha Bang, um Buda de ouro de 83 centímetros que dá o nome à cidade. No mesmo local, temos o Museu do Palácio Real, construído em 1904 para ser a residência principal do Rei, que abriga um pequeno museu de objetos da Família Real. Um dos templos mais bonitos que visitámos foi o Wat Xieng Thong, o templo dourado de onde os monges partem todas as manhãs para a Cerimónia das Almas, uma procissão religiosa e muito importante para a população budista, que existe desde o século XIX.

 

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No final do primeiro dia, subimos ao Monte Phou Si, uma colina de 100 metros de altura que possibilita uma vista de 360 graus da cidade e do rio Mekong. O calor dificultou a subida, mas a recompensa da chegada fez valer o esforço do caminho!

 

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Todas as noites, a rua principal de Luang Prabang transforma-se num gigante Night Market, com dezenas de bancas de artesanato e produtos locais. É uma profusão de cores, cheiros e sons. A magia começa mal o sol se põe e termina às 22 horas. Parece o filme da Cinderela, quando tocam as badaladas das 22 horas, em poucos minutos as bancadas e objetos coloridos desaparecem, as ruas começam a ser limpas e instala-se o silêncio na cidade.

 

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Na manhã seguinte, decidimos acordar antes do nascer do sol, para participarmos na Cerimónia das Almas. Todos os dias, pouco antes do nascer do sol, os monges budistas saem dos seus templos, para pedirem comida na Sakkaline Road. A população sai das suas casas e ajoelha-se nas ruas com potes de arroz e outras comidas e esperam que os monges passem e façam a recolha das mesmas. Para os budistas, oferecer a refeição aos monges é uma forma de acumular méritos. Para os monges é uma maneira de exercitar a humildade. Muitos destes monges são crianças que os pais enviaram para os templos para que tenham educação e para que a família acumule méritos de acordo com as crenças budistas.

Foi um momento muito especial para mim poder participar numa tradição tão profunda como esta. Pena que nem todos compreendam a importância destas tradições e muitos turistas encaram esta cerimónia apenas como mais um programa cultural.

 

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No pequeno-almoço desse dia, ouvi falar de uma escola, a Big Brother Mouse, que acolhe crianças e jovens de famílias humildes e onde é possível qualquer pessoa fazer voluntariado, dedicando apenas duas horas do seu dia. O voluntariado consiste em fazer pequenas atividades com estas crianças, desde leitura de livros, a resolução de problemas de matemática e ao ensino de inglês.

Esta é a foto do meu primeiro dia de voluntariado onde conheci o Kong Lao, um jovem adolescente de famílias humildes, que frequentava a Big Brother Mouse todos os dias.

 

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Como ele trabalhava como guia turístico, a necessidade dele era conversação em inglês, como tal, o que fizemos foi… conversar 🙂 . Falei-lhe do meu país, das nossas tradições e costumes, contei-lhe coisas sobre as famílias típicas portuguesas, mostrei-lhe fotos. Ele falou-me também do seu país, de onde vinha, como era a sua terra, explicou-me que vinha de uma família muito pobre e que tinha vindo para a cidade trabalhar, pois o que ganhavam com a terra não era suficiente. Tinha apenas 12 anos e via os pais uma vez por mês. O seu sonho era terminar a escola e ir para a universidade na capital, Vientiane, e um dia poder viajar e conhecer o mundo. No entanto, os pais já planeavam o seu casamento e as possibilidades dele conseguir realizar o seu sonho pareciam desvanecer-se…

Nesse dia, ele ofereceu-se para ser o nosso guia turístico e levar-nos a explorar sítios aos quais normalmente os turistas não vão. Levou-nos então a ver um templo budista, o Wat Phon Phao, mais recatado e longe da confusão do centro da cidade.

 

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Depois fizemos um longo passeio pelo interior e terminámos a tarde percorrendo as margens do rio Mekong até apanharmos um barco que nos levou a ver o pôr-do-sol.

Ter conhecido a Big Brother Mouse e, em particular, o Kong Lao, tornou aquela viagem diferente para mim. E naquele barco, a ver aquele pôr-do-sol, senti-me verdadeiramente abençoada. Gratidão era tudo o que sentia dentro de mim.

 

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Para além do mercado noturno, Luang Prabang tem também um mercado diurno que lembra uma feira ao ar livre onde se vende de tudo um pouco, mas principalmente alimentos, e alimentos bem… exóticos, desde insetos, a sapos e ratos assados.

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Nos arredores da cidade, são muitas as atividades que esperam pelos turistas. Uma das mais disputadas é o passeio nas cascatas azul-turquesa de Kuang Si, a 30km do centro da cidade. A melhor maneira de lá chegar é de tuk-tuk ou de moto.

Kuang Si parece um sonho de tão linda que é! Logo na entrada fica um pequeno centro de reabilitação de Ursos resgatados de cativeiro. Continuando a pequena caminhada em direção às cascatas, passamos por piscinas naturais azul turquesa que convidam a um mergulho!…

 

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E quando pensamos que não pode melhorar…. Pode!!! A impressionante cascata azul de 60 metros!!!

 

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Para muitos turistas o caminho termina aqui, mas a verdade é que é possível fazer um trilho para chegar ao topo e apreciar a verde paisagem de Laos.

 

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O nosso próximo destino era o Cambodja, mas os nossos quatro dias em Luang Prabang passaram demasiado rápido para mim e eu decidi ficar, abandonei a minha companheira de viagem e marcámos encontro para uns dias depois já na Tailândia. Se me arrependo de não ter seguido para o Cambodja? Nem um segundo, fiquei mais três dias em Luang Prabang e continuei a ir à Big Brother Mouse. É incrível como foi tão fácil sentir-me em casa e acolhida por aquele povo.

Até breve!

Marisa

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